"Legendas Cinematográficas III: Buster Keaton"

cetaps.description.printingNameAtlantida
cetaps.publisher.cityCoimbra
cetaps.researcherMarques, Gonçalo
cetaps.source.placeJ. 2836 M.
cetaps.textLEGENDAS CINEMATOGRÁFICAS ΙΙΙ BUSTER KEATON MORRERAM as fadas, as bruxas, os mágicos e as varinhas de condão. Mas novos contos fantásticos se contam hoje a toda a espécie de crianças. E êstes são contados aos olhos: os heróis ilustram-se a êles próprios. Charlot, Harold, o Pencudo, Pamplinas e todos os seus camaradas encarregaram-se de revelar o maravilhoso moderno. Aos cómicos do cinema deve o cinema grande parte da sua rápida e prodigiosa evolução. Por emquanto, é sobretudo com êles que o cinema se revela independente do teatro. Os maiores trágicos principiam a imitá-los nos processos. Isto é tão verdade que já deve ter sido observado. Ou terei eu na mão um outro ovo de Colombo? Sinto muito pouco ter lido do muito que hoje se escreve sôbre cinema... Mas ia eu dizendo que aos grandes cómicos do cinema se deve a mais completa realização do maravilhoso moderno. E não é verdade, amigo leitor? (Suponho que sejas meu amigo para mais depressa me dares razão). São êles quem melhor nos ostentam o homem moderno: o homem completo e omnipotente: o homem com azas, com motores, com bexiga natatória, às vezes com quatro pés: o homem-Deus, o homem futurista. Numa palavra: o homem maravilhoso, o homem que nós concebemos - pobres homenzinhos! - sempre que largamos velas à imaginação. A imaginação é o que há de mais doido e sôfrego em nós. Buster Keaton, Pamplinas, Homem que nunca ris para que os outros riam, estarei eu muito longe de ti? Eu prometi fazer-te uma crítica. Mas eu deixo que vocês me ditem as críticas que eu vos faça. Tu estás mais ou menos a ditar-me estas coisas. Tenho a meu lado a tua máscara longa e séria - esculpida em madeira?, em pedra?, em osso?, em carne?, por um Deus excêntrico ou por um Artista negro. Essa máscara, não sei se ela é um processo, uma confissão, ou uma ironia. Mas eu também estou ser muito sério quando falo de ti. Não obsta a que me apeteça brincar um pouco... Falar de Pamplinas, ¿como, sem pintar as ideias com um pouco de fantasia? Buster Keaton é talvez o maior fantasista e o maior excêntrico dos seus camaradas. Ás vezes, Buster Keaton desaparece para ser a própria acção ou aparecer em todo o scenário. Os seus scenários entram nêle, como êle sai para os seus scenários, e a resistência da matéria ou o poder dos elementos são colegas com quem êle brinca, luta, sonha... A sua fantasia vai do burlesco ao macabro, apanha êste mundo e os outros. Cómico? Ele diverte como poucos; mas, como Charlot ultrapassa o cómico por ser um grande poeta, Pamplinas ultrapassa o cómico por ser um grande humorista excêntrico. E os seus contos maravilhosos ou os seus folhetins bizarros são dos mais pessoais. Pronto. A minha critica está feita. Perdôa-me, Pamplinas: como todos os médiuns, estraguei lamentávelmente o que o teu espírito me ditou… J. R.
dc.contributor.authorRégio, José
dc.date.accessioned2025-04-16T16:16:16Z
dc.date.available2025-04-16T16:16:16Z
dc.date.issued1927-05-08
dc.description.abstractApontamento elogioso sobre a carreira do actor norte-americano Joseph Frank “Buster” Keaton (1895-1966), que menciona a personagem Charlot, interpretada pelo inglês Charles Spencer “Charlie” Chaplin (1889-1977).
dc.format.extent8
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131826
dc.language.isopt
dc.publisherAntónio José Branquinho da Fonseca
dc.publisherJoão Gaspar Simões
dc.publisherJosé Régio
dc.relation.ispartofPresença: Fôlha de Arte e Crítica
dc.relation.ispartofvolume4
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_14cb
dc.subjectCinema
dc.title"Legendas Cinematográficas III: Buster Keaton"
dc.typeArticle
person.birthDate1901-09-17
person.deathDate1969-12-22

Files

Original bundle

Now showing 1 - 1 of 1
Loading...
Thumbnail Image
Name:
PRESENÇA VOL4 - LEGENDAS CINEMATOGRÁFICAS III. BUSTER KEATON - J. R. p.8.jpg
Size:
233.68 KB
Format:
Joint Photographic Experts Group/JPEG File Interchange Format (JFIF)