"Os Navios Estrangeiros no Tejo"

cetaps.description.printingNameTipografia da Associação dos Compositores Tipográficos
cetaps.publisher.cityLisboa
cetaps.researcherMarques, Gonçalo
cetaps.source.placeF. 3557-3582
cetaps.textOS NAVIOS ESTRANGEIROS NO TEJO Há um mês, desde os acontecimentos de 19 de Outubro, que a Inglaterra, a França e a Espanha manteem ali no Tejo alguns vasos de guerra. Porquê? Acaso se tinham dado ataques à vida e propriedade de estrangeiros? Não. Essas nações, que nos veem dobrar as amarguras, humilhando-nos com a presença dos seus barcos, pretendem apenas demonstrar-nos pela força brutal que às nações pequenas não são permitidos os mesmos crimes e loucuras que cometem as grandes. Se é o receio duma guerra civil com as suas vindictas sangrentas, preguntamos à França e à Espanha por que não enviam os navios a meter-se de permeio entre a Irlanda e a Inglaterra. Se temem alguma tentativa bolxevista, fundada em notícias sobre sovietes de marinheiros, desejariamos saber que fizeram a Inglaterra e a Espanha, e até a mesma França, quando uma esquadra inteira desta última nação, destituídos e desrespeitados os respectivos comandantes, arvorou a bandeira vermelha no Mar Negro. E se a sua permanência em frente da cidade quere apenas confirmar a repulsa pelos atentados de 19 de Outubro, já manifestada pelos desejos do corpo diplomático de qué fossem castigados os criminosos, que nos digam a Inglaterra e a França se alguma vez intervieram na Espanha, o pais clássico dos atentados e pronunciamentos e do qual uma ilustre escritora sua natural, a senhora Pardo-Bazan poude escrever, não há muitos anos, estas palavras: que ali «o direito caiu em tal descrédito que o nome de justiça faz sorrir ou estremecer e onde se teme muito mais essa justiça que os próprios malfeitores». Sabemos de boa fonte que o corpo diplomático, apesar da atitude, mais que correcta, amiga, do ministro da América, embaixador do Brazil, ministros da Inglaterra e Itália, chegou em certa ocasião a manifestar ao snr. Presidente da República o intento de desembarcar fôrças em Lisboa, caso voltassem a dar-se acontecimentos revolucionários. E, como em todas as coisas sérias há sempre uma nota cómica, consta-nos que nos foram particularmente hostis os representantes de duas rèpúblicas sul-americanas !!! E, pois que aquelas très nações presam tanto a nossa tranquilidade, queremos agradecer-lhes aconselhando-as a que não maculem mais as suas decantadas tradições de pura democracia, de fraternidade universal ou generosidade cavalheiresca, oprimindo uma nação pequena e fraca, mas que na hora do maior perigo para a civilisação da humanidade auxiliou a umas, e à outra deu um exemplo de melhor compreensão do direito e da liberdade humanas, defendendo-as com o sangue. JAIME CORTESÃO Ex-oficial voluntário da Grande Guerra em França, Cruz de guerra, ferido em combate.
dc.contributor.authorCortesão, Jaime Zuzarte
dc.date.accessioned2025-04-15T18:50:29Z
dc.date.available2025-04-15T18:50:29Z
dc.date.issued1921-11-20
dc.description.abstractComentário crítico à acção de várias nações, incluindo Inglaterra, face à revolta militar apelidada de Noite Sangrenta (Outubro de 1921), dando conta da presença de alguns navios de guerra ingleses no rio Tejo um mês depois do sucedido.
dc.format.extent95
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131640
dc.language.isopt
dc.publisherEmpresa de Publicidade Seara Nova
dc.relation.ispartofSeara Nova: Revista Quinzenal de Doutrina e Crítica
dc.relation.ispartofvolume3
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_14cb
dc.subjectPolítica
dc.subjectTecnologia
dc.title"Os Navios Estrangeiros no Tejo"
dc.typeArticle
person.birthDate1884
person.deathDate1960

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OS NAVIOS ESTRANGEIROS NO TEJO.pdf
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