“A Conferência de Locarno”

cetaps.publisher.cityLisboa
cetaps.researcherAlice Laurentino
cetaps.source.placeJ. 3321 M.
cetaps.textTem havido depois do tratado de Versailles um sem número de conferências internacionais para concertar o que parece não ter concerto. Houve os que reuniram em S. Remo, Bolonha, Paris e Londres, os homens de Estado dos países aliados para constranger a Alemanha a executar o tratado de Versailles. Houve os de Spa, em 1920; de Cannes, em 1922; de Londres, em 1923, e outra de Londres, em 1924, esta para a adoção do plano de Dawes. Por importantes que tenham sido estas reuniões nenhuma se apresentou com um caracter tão decisivo como a de Locarno. Nas conferências precedentes tratava-se de consequências da guerra. Desta vez trata-se de criar um novo estado de cousas, tendo em vista assegurar a paz para o futuro. A Alemanha desta vez toma parte no mesmo pé de igualdade das outras potencias . E’ bom não esquecer que o projecto do pacto de segurança que se vai discutir é da sua autoria. Teria ela formulado a ideia do Pacto com sinceridade ou com o intuito de dividir os aliados? Pode-se duvidar dela em presença das hesitações que manifestou desde que a sua ideia do Pacto começou a tomar corpo e que a frança e a Inglaterra adotaram a seu respeito uma atitude comum. Pode-se duvidar dela, ainda mais, desde que o governo alemão renovou, a respeito da responsabilidade da guerra, declarações que põem em causa o próprio espírito do tratado de Versailles. Como quer que seja, a Alemanha encontra-se em Londres em frente dos aliados que mais directamente lutaram com ela de 1914 a 1918. Ela via dizer naturalmente se quer a paz e como a entende, se quere essa paz sem pensamento reservado, sem restrições, se a quer com toda a gente ou apenas com alguns países. Na Inglaterra, na França e na Bélgica, há grandes esperanças sobre a Conferência de Locarno. Nestes países, a julgar-se pelo que diz a sua imprensa, deseja-se que os debates cheguem a qualquer resultado benéfico. Todavia êsses mesmos jornais que assim exprimem os seus desejos de paz não ocultam os obstáculos que há a vencer. E entram logo de pôr todos êsses obstáculos do lado da Alemanha. A Alemanha, dizem êles, esforcar-se-ia por enfraquecer e anular o tratado de Versailles. Fala-se em Berlim de alargar aos aliados a obrigação de desarmar, imposta pelo tratado somente à Alemanha. Mas que contôle subsistiria para assegurar a todos que a Alemanha se não armaria em segredo? Insiste-se em Berlim que a deliberação sobre o Pacto de Segurança Ocidental nada tem que vêr com o problema da segurança na Europa Oriental. E esta insistência desperta a suspeição dum propósito de ataque à Polonia. Por aqui podemos vêr que a tarefa da Conferência de Locarno não é fácil e que possivelmente é mais uma assembleia, como as anteriores, sem nenhum resultado apreciável. Os aliados não vêem na Alemanha senão sofismas e má vontade, mas êles por seu lado nada fazem para dissipar na Alemanha a idea que o que êles pretendem é a sua perpetua escravidão.
dc.contributor.authorAnónimo
dc.date.accessioned2025-04-15T13:26:31Z
dc.date.available2025-04-15T13:26:31Z
dc.date.issued1925-10-19
dc.description.abstractDescrição das tentativas de paz e reconciliação europeia após o Tratado de Versalhes (1919), através de várias conferências.
dc.format.extent6
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131576
dc.language.isopt
dc.publisherCarlos Maria Coelho
dc.relation.ispartofA Batalha: Suplemento Literário e Ilustrado
dc.relation.ispartofvolume99
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_abf2
dc.subjectPrimeira Grande Guerra
dc.title“A Conferência de Locarno”
dc.typeArticle

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A conferência de Locarno (19 de outubro de 1925, nº 99, p. 6).png
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