"Pandeiretas"

cetaps.description.printingNameAtlantida
cetaps.publisher.cityCoimbra
cetaps.researcherMarques, Gonçalo
cetaps.source.placeJ. 2836 M.
cetaps.textPANDEIRETAS AO AMIGO GIMENEZ CABALLERO de noite nas ruas gela-se de sombra iluminada e frígida... Divago porque não sei para onde vá... para onde vou há muito... Apesar de que não quero ser «daqueles portugueses que depois da descoberta da India ficaram sem trabalho...» Tenho o trabalho de esquecê-La, e às Africas e às Américas e a todo o mundo que meus avós descobriram... Cantando, ao luar errei, pelas ruas da Alemanha, Armei na França minha tenda de campanha... António Nobre. Eu não. Nem na França nem na Alemanha: Armei-as em toda a parte, todas as tendas de todas as campanhas: que foi o mesmo que não armar nenhumas. Tudo me interessa sem imposições; tudo me interessa e por isso em nada fico. Sim, sou dum país do sul onde não me sinto bem, mas ide beber cerveja, que nos outros também não me sinto melhor... por isso ando por aqui, sem cantar e sem luar, para ir sentar-me ao pé de vós porque vos admiro as diferenças que vos fazem superiores e inferiores... Eh!... - Taxi!... Bem. Lá vou… - Igualmente. - Music-Hall. Entro e a luz é doce e de seda... Por todas as cem mesas, gente em volta do champagne: os maridos com as esposas que tem o amante mais adiante com mulheres de ocasião para disfarçar; e há também boémios sinceros que um dia se suicidam sem haver outro motivo; e também diplomatas e outros que são o que fizeram d’êles... E isto tudo etc... Ao centro, canta e dança uma espanhola com todas as saias, com todas as cores, com todas as castanholas e todas as pandeiretas... Dança para todos os lados e tem uma flôr no cabelo e do outro lado um pente, e uns brincos e um sinal e etc... E se, não tem mais coisas bonitas é porque não pode ser. E dança cada vez mais! Viva la gracia!... Olé!... Coitados dos espanhois: são felizes: todos côr, barulho, toiros e superficie... Já meus avós, vossos mestres, se queixaram de vocês... Somos muito diferentes, na verdade. Dançai, cantai, declamai, que eu vejo-vos enquanto bebo uma taça e passo o tempo. (Hamburgo) ANTÓNIO MADEIRA. (Post-guerra)
dc.contributor.authorMadeira, António
dc.date.accessioned2025-04-16T13:43:08Z
dc.date.available2025-04-16T13:43:08Z
dc.date.issued1929-12
dc.description.abstractApontamento poético que reflecte sobre a identidade portuguesa, recorrendo-se aos anglicismos “taxi”, “music-hall” e “post”.
dc.format.extent7
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131765
dc.language.isopt
dc.publisherAntónio José Branquinho da Fonseca
dc.publisherJoão Gaspar Simões
dc.publisherJosé Régio
dc.relation.ispartofPresença: Fôlha de Arte e Crítica
dc.relation.ispartofvolume23
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_14cb
dc.subjectLíngua Inglesa e Anglicismos
dc.title"Pandeiretas"
dc.typeArticle
person.birthDate1905-05-04
person.deathDate1974-05-07

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