"A Semana Irónica”

cetaps.publisher.cityLisboa
cetaps.researcherAlice Laurentino
cetaps.source.placeJ. 3329 M.
cetaps.texta semana ironica por Norberto Lopes Em Familia Há dias, viajando no rapido do Porto, tive ocasião de verificar uqe Portugal é um país muito pequeno, habitado por uma grande família, – a chamada familia portuguesa – cujos membros se conhecem todos entre si, com pormenores que vão até saber se o vizinho do lado usa cuecas ou cerolas de malha – pim! Como dizia o Almada Negreiros. Com efeito, a gente instala-se numa carruagem de primeira classe – “wagon restaurant à ce train” – e todas as taras que vão chegando nos são familiares. E’ o dr. Mesquilia, o bom conhecido causidico da nossa Boa Hora, que vai a Coimbra defender um criminoso passional. (O criminoso toda a gente sabe pelos jornais que é o Pestana, o industrial Pestana, que matou a mulher surpreendida em flagrante delito de adultrtio). Toda a gente se conhece. Toda a gente se interroga. Toda a gente mergulha na vida alheia sem auxilio de escafandro. - Tá la? Onde vais tu? Que fazer agora. Tua irmã casou? Quem é o marido? E aquele “béguin” russo que tu tinhas em Lisboa? Que é feito? Homem, estás mais gordo! Homem, estás mais magro! Tem llo ainda é accionista dos Fosioros? Teu pai já é não director da C. P. T As perguntas não têm fim. O cavalheiro só nos larga depois de se informar completamente da nossa vida, depois de saber se preferimos as loiras ou as morenas, se portugalizamos os nossos pés, se (?) a nossa barba, se usamos papel higiénico e se fomos á ultima sessão da moda do S. Luiz. De noite que o pobre viajante do rapido, quando chega ao seu destino, vai mais amarelo do que uma (?) de Coimbra ou um cestinho de ovos moles de Aveiro. E’ um verdadeiro prazer viajar em Portugal em tão boa companhia – na companhia de toda a gente que nos conhece que nós conhecemos, infelizmente. - Allô! Allô! - Está lá? - Olga usted! - Parelez vous français? - Do you speak english? Lisboa – Madrid – Paris – Londres. O Tejo – o Manzanares – o Sena – o Tamisa. Enfim, temos um telefone internacional, um telefone que nos põe a cinco minutos de Madrid, a dez minutos de Paris e a um quarto de hora de Londres. Enfim, começa a ouvir-se em Lisboa a voz da Europa, a voz da civilização, que nos chega, pelos fios telefónicos, através da extensa planura de Castela-a-Velha. Já não era sem tempo. Norberto Lopes
dc.contributor.authorLopes, Adolfo Norberto
dc.date.accessioned2025-04-17T09:57:26Z
dc.date.available2025-04-17T09:57:26Z
dc.date.issued1928-05-20
dc.description.abstractElogia-se a evolução da telefonia em Portugal, o que permite o contacto com aquilo que o autor designa de “civilização”, isto é, capitais europeias como Madrid, Paris e Londres.
dc.format.extent3
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131901
dc.language.isopt
dc.publisherDiário de Notícias
dc.relation.ispartofO Notícias Ilustrado
dc.relation.ispartofvolume9
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_abf2
dc.subjectSociedade
dc.title"A Semana Irónica”
dc.typeArticle
person.birthDate1900
person.deathDate1989

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_A semana irónica_ (20 de maio de 1928, Ano 1, série ii, nº 9, p. 3).jpg
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