“Justiça Británica”
| cetaps.publisher.city | Lisboa | |
| cetaps.researcher | Alice Laurentino | |
| cetaps.source.place | J. 3321 M. | |
| cetaps.text | Justiça británica Vaquier, pintor francês, que se apaixonara por uma inglesa sem-vergonha, foi acusado de ter envenenado o marido desta. A grave, a severa, a incorruptível justiça britânica julgou e condenou o suposto envenenador. Vaquier foi enforcado há dias. Apesar das súplicas do réu, dos casos supervenientes, dos êrros de direito cometidos no elaborar do processo, dos protestos da França, o ministro (trabalhista) que deveria decidir se havia lugar para o recurso requerido, recusou-o. Não interessa saber se Vaquier foi ou não o assassino. As circunstâncias em que decorreu o seu processo é que interessam. Vaquir escrevera na prisão as suas «Memórias». Sem saber uma palavra de inglês, sem dinheiro, sabido que as justiças inglesas quando o réu não apresenta defensor não lho nomeiam, apareceram uns advogados, procuradores, etc., a fauna dos tribunais, a propor-lhe que vendesse as suas «Memórias» a um grande jornal londrino, a fim de obter dinheiro, para pagar aos advogados, para as despesas do processo, para poder apresentar testemunhas, etc. Alarmado por se supor já só, abandonado, sem defesa, perante um tribunal que não o compreenderia, Vaquier acedeu. Os honrados juristas levaram as «Memórias» para as publicar no Sunday Herald. As memórias dum Vaquier que tinha assassinado o marido da amante eram um assunto banal; mas as «Memórias dum Enforcado» pagava-os o Sunday Herald a peso de ouro. E pagou-as. E Vaquier foi condenado à morte. Foi um êxito de tiragem para o jornal, os exemplares da folha eram disputados na rua a soco; de todos os países de língua inglesa vieram propostas vantajosíssimas para reproduzir as «Memórias», para as editar em livro. As libras afluiam à caixa do Sunday e ás algibeiras dos honrados juristas. Vaquier não recebeu nada, nem era do contracto, a êle só lhe cumpria ser executado, para rèclamo. Seria longo enumerar as circusntâncias em que decorreu o processo Vaquier, circunstâncias que levaram ao fim desejado – a condenação do réu. Basta dizer que a Boa-Hora de lá também está muito aperfeiçoada. Vaquier, pintor francês, suposto envenenador, foi enforcado pela justiça britânica. Quem enforcará um dia a grave, a severa, a incorruptível justiça da Inglaterra? | |
| dc.contributor.author | Anónimo | |
| dc.date.accessioned | 2025-04-14T10:12:29Z | |
| dc.date.available | 2025-04-14T10:12:29Z | |
| dc.date.issued | 1924-08-18 | |
| dc.description.abstract | A notícia relata e comenta a condenação à morte de Jean-Pierre Vaquier (1879-1924) pela justiça britânica, após ter sido acusado de envenenar o marido da sua amante inglesa. Enquanto decorria o processo, Vaquier escreveu na prisão as suas “Memórias”, as quais foi convencido a vender ao jornal londrino Sunday Herald, de modo a ganhar o dinheiro que necessitava para se defender durante o processo. O jornal optou por publicar a história com o título “Memórias de um Enforcado”, para conseguir captar o interesse do público, aumentar as vendas e lucrar ainda mais. Apesar dos protestos franceses, e das inúmeras falhas no processo, o recurso foi negado, e Vaquier foi condenado à morte por enforcamento. O texto termina com uma crítica à justiça britânica, pelo modo como se conduziu o caso. | |
| dc.format.extent | 3 | |
| dc.identifier.uri | https://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131381 | |
| dc.language.iso | pt | |
| dc.publisher | Carlos Maria Coelho | |
| dc.relation.ispartof | A Batalha: Suplemento Literário e Ilustrado | |
| dc.relation.ispartofvolume | 38 | |
| dc.rights | http://purl.org/coar/access_right/c_abf2 | |
| dc.subject | Jornalismo | |
| dc.subject | Sociedade | |
| dc.title | “Justiça Británica” | |
| dc.type | Article |
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- Justiça británica (18 de agosto de 1924, nº 38, p. 3).jpg
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