"'Preciosos' Autógrafos"

cetaps.description.printingNameImprensa Beleza
cetaps.publisher.cityLisboa
cetaps.researcherMarques, Gonçalo
cetaps.source.placeJ. 2628 B.
cetaps.text«Preciosos» autógrafos Entre as numerosas manias humanas, uma existe, particularmente curiosa, que consiste em coleccionar autógrafos de personagens célebres. Para os que sofrem dessa mania, todo o farrapo de papel onde existam letras manuscritas é uma preciosidade, desde que êsses rabiscos sejam do punho de algum escritor ou sábio, imperador ou poeta. Como nenhuma outra, esta mania presta-se admirávelmente a especulações e habilidades. Agora, por exemplo, foi descoberto em Londres um caso curioso. Um tal Rogers anuncíara haver encontrado os manuscritos de grande parte das obras de Shakespeare. Não só para os coleccionadores de autógrafos como tambem para a Inglaterra, esta descoberta era de um altíssimo valor; futurava-se já a reconstituição do texto de algumas das imortais criações do assombroso génio, - quando suscitou dúvidas o pouco reclame que Rogers fazia e o desejo que manifestava de se desfazer rapidamente da sua preciosa descoberta, vendendo-a por preço rasoável a qualquer amador particular. Averiguou-se que, em 1923, Rogers vendera em Whitsable um falso manuscrito do Paraizo Perdido, de Milton, e vários autógrafos de Shakespeare, quásí arruinando um rico gentleman amador dessas raridades. Coisa pior sucedera a um tal Cobham, grande apaixonado pela pintura, que dois anos antes comprara ao mesmo Rogers uns quadros que êste garantía serem assinados por Remwey. Tão boa foi a compra que levou Cobhan ao suicídio, ao constatar haver adquirido grosseiras cópias. Em face dêstes precedentes, ainda não houve quem se habilitasse a adquirir o tesouro shakespeareano. Rogers é, positivamente, um industrial desacreditado. E é pena, pois «descobertas» tão preciosas como as que êle fazia não são frequentes.
dc.contributor.authorAnónimo
dc.date.accessioned2025-04-17T11:10:09Z
dc.date.available2025-04-17T11:10:09Z
dc.date.issued1926-03-15
dc.description.abstractArtigo que anuncia mais um golpe de um comerciante de arte falsificada, agora a operar em Londres. O criminoso, Rogers, que pretendia vender o que alegava serem manuscritos de William Shakespeare (1564-1616), já tinha um historial no comércio de falsificações, quando, anteriormente, vendera um falso manuscrito de Paraíso Perdido (Paradise Lost, 1667), do poeta inglês John Milton (1608-1674), a um “gentleman” da cidade inglesa de Whitsable, e uma cópia de um quadro de Remwey – possivelmente Allan Ramsay (1713-1784) – a um indivíduo que acabou por se suicidar.
dc.format.extent15
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131920
dc.language.isopt
dc.publisherAlexandre de Assis
dc.relation.ispartofRenovação: Revista Quinzenal de Arte, Literatura e Actualidade
dc.relation.ispartofvolume18
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_14cb
dc.subjectLiteratura
dc.subjectArte
dc.subjectTeatro
dc.title"'Preciosos' Autógrafos"
dc.typeArticle

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RENOVAÇÃO VOL18 - «PRECIOSOS» AUTÓGRAFOS - s.n. p15.jpg
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