“A Última Vergonha Socialista”

cetaps.publisher.cityLisboa
cetaps.researcherAlice Laurentino
cetaps.source.placeJ. 3321 M.
cetaps.textA última vergonha socialista Na Inglaterra, sob os aspícios socialistas, é executada uma sentença, condenando à pena de morte À hora que escrevo esta linhas, Vacquier, o súbdito francês suposto autor do crima “Taberna Azul” de Wandswortj (Inglaterra), terá sido já executado. É sempre odiosa uma execução capital em nome da sociedade e à guisa de exemplo social, mas esta vez, além de odiosa, é sarcástica também. Quem diria, com efeito, que é a Inglaterra de Mac-Donald, do laborismo, do socialismo elevado a sistema governamental burguês e monárquico, a que mata em nome do código, da lei, da sociedade, como em tempos de Henrique VIII? Irrita os nervos e faz corar de vergonha e de colera lêr, no entanto, a notícia destas execuções bestiais e estupidas num país em que os socialistas governam. Revolta ver descer a tão baixo nível os socialistas modernos, tão humanos, perante o acto revolucionário – que repudiam com horror – e tão sanguinários ante um miserável réu condenado à pena última por juízes de espírito burguês e reaccionário que se inspiram numas leis velhas, medievais, anacrónicas e absurdas. Repugna ter pertencido algum tempo a um partido tão plástico, de significação tão vaga e tão difusa e de procedimentos tão identificados com os de tôda a espécie de governantes! Que pensar do socialismo depois desta execução oficial, permitida e autorizada pelo próprio socialismo, campeão da supressão da pena de morte? Que pensar de tôda esta gente – protótipo da mais descarada demagogia . que governa perfeitamente do mesmo modo que os mais vulgares monárquicos, sem se distinguirem sequer na mais elementar e conhecida das extensas e fundamentais separações doutrinárias e dos mais díspares procedimentos do govêrno? Eterno engano! Os socialistas, os comunistas, os republicanos, os liberais, na oposição, são quási anarquistas. Quando não são abolicionistas enragés da pena de morte, de guerras, de aventuras militares e coloniais, do caciquismo económico, religioso, militar, etc., são pelo menos utilistas e antropófagos devoradores de reaccionários, padres, capitalistas, tiranos e déspotas, mas apenas enquanto olham a caravana governamental e ministerial que passa a caminho da Meca do Poder. Logo, porém, que escalam as escadas do altar sagrado do templo dos Campos Elíseos, do Foreing-Office ou do Kremlin, tornam-se até conservadores da pena capital, das boas relações com o clericalismo e de tudo quanto lhes legaram os seus antecessores . os governos monárquicos, católicos on protestantes, romanos ou anglicanos, ortodoxos ou laicos. A execução de Vacquier em Inglaterra, sob os auspícios socialistas, constitui o clou de tôda essa farça socialeira que começou a tornar-se impúdica com a colaboração individual de Millerand e de Briand e que se prossegue com a colaboração colectiva dos laboristas ingleses e dos comunistas russos. Que nojo e que sarcasmo! Barcelona, Agosto de 1924. F. Barthe
dc.contributor.authorBarthe, Fortunato
dc.date.accessioned2025-04-15T10:35:29Z
dc.date.available2025-04-15T10:35:29Z
dc.date.issued1924-08-25
dc.description.abstractComentário à execução de Jean-Pierre Vaquier (1879-1924), um pintor francês condenado à morte em Inglaterra por ter cometido um assassinato no caso “Taberna Azul”. O governo socialista britânico é criticado pela forma como contradiz as suas próprias ideologias, visto que um governo socialista é teoricamente contra a pena de morte, continuando, porém, a praticá-la.
dc.format.extent5
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131546
dc.language.isopt
dc.publisherCarlos Maria Coelho
dc.relation.ispartofA Batalha: Suplemento Literário e Ilustrado
dc.relation.ispartofvolume39
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_abf2
dc.subjectSociedade
dc.subjectPolítica
dc.title“A Última Vergonha Socialista”
dc.typeArticle

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Barthe, Fortunato. “A última vergonha socialista” (25 de agosto de 1924, nº 39, p. 5).jpg
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