"As Côrtes Gerais"
| cetaps.description.printingName | Francisco Ferreira Rodrigues | |
| cetaps.publisher.city | Lisboa | |
| cetaps.researcher | Marques, Gonçalo | |
| cetaps.source.place | J. 3644//11 B. | |
| cetaps.text | As Côrtes Gerais Uma das razões por que o Partido Legitimista e o Integralismo Lusitano (agrupamentos confundidos na mesma unidade de principios e aspirações) repudiaram o nefando Pacto de Paris foi o facto de êste deferir os problemas da constituição da futura Monarquia e da sucessão ao trono para as Côrtes Gerais. Álem de ser escusado fazer-se um pacto tendo isto por base, é evidente o lôgro com que se pretendia abater para sempre a bandeira da Contra-Revolução. Quais Côrtes Gerais ? Não o dizia o Pacto. E como, para os cartistas, o seu parlamento á moda inglesa também tinha o nome de Côrtes Gerais, poderiam os tradicionalistas alimentar a esperança de que o parlamento constitucional (a cujas fórmulas o sr. D. Manuel se considerava preso por juramento) se votasse ao suicidio? Esperança vã que caïria ao mais ligeiro raciocínio, o que a atitude posterior do Correio da Manhã, órgão oficial da Causa Monárquica, veiu confirmar plenamente. Estupenda mistificação, êste pacto, nulo desde o principio, que só um cérebro dum conselheiro, hábil artimanhas politicas, poderia parir. Nada fazendo pela Monarquia, nem antes, nem depois, a não ser tolices, conseguiram ao menos os conselheiros deter o elan combativo e ardoroso dos tradicionalistas, o qual só poderia e deveria parar com o triunfo definitivo, e fazê-los cair numa prostração quási criminosa, produzida por um desalento ainda mais condenável, de que, parece, se vai despertando. Que ao menos um sono tão prolongado tenha servido para acumular energias e que o novo esfôrço só na vitória encontre o seu termo. É mais profunda do que muitos imaginam a diferença entre o parlamento do constitucionalismo e da República, e as Côrtes Gerais da nossa Tradição, que nós queremos adaptar ao tempo presente. É até interessante, como documento da ignorância e da má fé com que nos combatem, que enquanto uns nos chamam absolutistas (como se o absolutismo e a omnipotência das maiorias parlamentares não fossem a pior das tiranias!), por querermos o Rei livre na Nação livre, o Rei governando e assegurando as liberdades orgânicas da Nação (coisa tão diferente do absolutismo, em que o Rei governa e administra), enquanto uns nos chamam absolutistas, outros atribuem-nos a intenção de substituir o parlamento dos partidos por um parlamento de classes e municípios! Mas isso seria destruir a virtude e a eficiência dos nossos princípios ! Pois que mais seria êste parlamento, salvo no que diz respeito á melhoria da representação, do que, como o outro, uma assembleia de inépcia e de retórica, continuando a desconjuntar o país, fermentando a atmosfera agitada pelos interêsses antagónicos que se chocavam, dando a vitória ao acaso das maiorias ? As Côrtes Gerais dos Municípios e Corporações, para bem cumprirem a sua função, não podem ter, senão em casos especiais, atribuïções deliberativas. Fora disso, o Rei convoca-as para consultar a Nação, através dos seus genuínos representantes, sôbre as suas necessidades - e resolve depois, livremente, como árbitro supremo e superior interessado na harmonia e na prosperidade colectivas. E porque as Côrtes não devem ter funções deliberativas, são elas absolutamente incompativeis com a República, que sofre do defeito estrutural e irremediável de deixar o mais alto lugar do Estado á mercê das competições eleitorais e dos assaltos de todos os ambiciosos e aventureiros. L. RAMOS ASCENÇÃO | |
| dc.contributor.author | Ascensão, Leão Ramos | |
| dc.date.accessioned | 2024-12-01T15:50:33Z | |
| dc.date.available | 2024-12-01T15:50:33Z | |
| dc.date.issued | 1929-02-21 | |
| dc.description.abstract | Reflexão crítica sobre o Pacto de Paris (1922) e as consequências que o referido tratado teria no futuro da monarquia e na possível imposição de um parlamento semelhante ao adoptado em Inglaterra. | |
| dc.format.extent | 129-130 | |
| dc.identifier.uri | https://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/130545 | |
| dc.language.iso | pt | |
| dc.publisher | Tipografia Ingleza, Limitada | |
| dc.relation.ispartof | A Tradição: Boletim do Grémio Portuguez Tradicionalista | |
| dc.relation.ispartofvolume | 14 | |
| dc.rights | http://purl.org/coar/access_right/c_14cb | |
| dc.subject | Política | |
| dc.title | "As Côrtes Gerais" | |
| dc.type | Article | |
| person.birthDate | 1903-04-11 | |
| person.deathDate | 1980-03-03 |
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- TRADIÇÃO (A) VOL14 - AS CÔRTES GERAIS - L. RAMO ASCENÇÃO pp.129-130 img1.jpg
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