"Notas e Comentários: Anatole France"

cetaps.description.printingNameTipografia da Associação dos Compositores Tipográficos
cetaps.publisher.cityLisboa
cetaps.researcherMarques, Gonçalo
cetaps.source.placeF. 3557-3582
cetaps.text[Notas e comentários] Anatole France Um jornalista francês enviou a um jornal de Lisboa uma crónica sobre o discurso pronunciado há pouco, por Anatole France, na Liga dos Direitos do Homem. Desdenha da assistência, onde se contavam Buisson, Séailles, Painlevé, Séverine, e discorda das afirmações do grande escritor, embora as julgue em grande parte sensatas... Nesse discurso, France defendeu revisão dos processos Malvy e Caillaux, a libertação de Goldsky, dos marinheiros do mar Negro, Marty e Badina, e dos seus companheiros. Criticou os métodos diplomáticos de hoje e disse que é penoso vêr o espírito da guerra sobreviver à guerra. Falando ainda das conseqüências da grande guerra, acrescentou: «Podemos preguntar, com os meus amigos socialistas e comunistas, se não é o fim do regimen capitalista que se aproxima... Hoje, que as nações estão unidas umas às outras por laços que não podemos quebrar sem as enfraquecer ou destruir, e que um manancial comum de vida circula em seus órgãos; hoje, que os Estados Unidos da Europa, mau grado resistências, suspeitas e ódios, estão, sem darmos por isso, por efeito duma civilização envolvente, mais que semi-formados; hoje, que, numa expressiva fórmula que não é minha, toda a guerra é uma guerra civil; hoje, que o desenlace dos conflitos é tal que vencedores e vencidos se não distinguem, - reparemos solidàriamente as ruinas e, se possível fôr, apiedemo-nos da nossa comum fraqueza...». Mais adiante aconselha nestes termos os seus compatriotas: « - Não prolonguem a experiência da fôrça brutal, que destroi tão seguramente quem dela se serve como quem a suporta. Franceses, não aspireis a uma hegemonia doravante impossível, em terra e nos mares. Não sonhem com vitórias e conquistas; não almejem o destino da grande Inglaterra, que não é para invejar. Sejamos moderados. Disso depende a nossa existência. «Diminuamos os efectivos, encurtemos o tempo do serviço militar. É indispensável eliminar essas despesas enormes e inúteis». Ao terminar, Anatole France aconselhou aos franceses «o olhar tranquilo que abranja o género humano» e repetiu as formosas palavras de Goethe: «Sejamos bons europeus!»
dc.contributor.authorReis, Luís da Câmara
dc.date.accessioned2025-04-15T08:28:48Z
dc.date.available2025-04-15T08:28:48Z
dc.date.issued1922-03-15
dc.description.abstractSíntese do discurso proferido por Anatole France (1844-1924), na Liga dos Direitos do Homem, onde, numa linguagem anti-belicista, se expõem críticas à gestão política do momento, apelando a um desinvestimento nas despesas militares e aconselhando os seus compatriotas franceses a não almejarem ser como Inglaterra, uma nação cujo destino, na sua opinião, não seria de invejar.
dc.format.extent268
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131504
dc.language.isopt
dc.publisherEmpresa de Publicidade Seara Nova
dc.relation.ispartofSeara Nova: Revista Quinzenal de Doutrina e Crítica
dc.relation.ispartofvolume10
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_14cb
dc.subjectPolítica
dc.title"Notas e Comentários: Anatole France"
dc.typeArticle
person.birthDate1885
person.deathDate1961

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