"Dancing Ambiente"

cetaps.description.printingNameAtlantida
cetaps.publisher.cityCoimbra
cetaps.researcherMarques, Gonçalo
cetaps.source.placeJ. 2836 M.
cetaps.textDANCING AMBIENTE O dancing é o ring de Terpsicore e o redondel de circo aonde pontifica um Deus do Malabar; onde todos passam e ninguem pensa que pensar, ali - é doença aquilo é honesto - e a licença só é para não pensar. Só os passos pensam n'um passo ainda para desenhar, revelando aos olhos dos que só pensam nos pés dos passos que passam e dançam o pensamento parado que não passou - do aço do ôsso do cerebro vaquo. (Aquela morena dos olhos de lume. é tanagrina e o seu corpo some do Schárleston, as notas, que da boca da trompete, saiem vibrando como gravatas flebeis de som num louping, louping de loup em biciclete de sonoro flon) A dança já se dança, por si, nos seus sonoros pés. (Olha, vês!?... - o olhar d'aquela, aquela acolá, tem uma onça d'agudas garras, espreitando a prêsa) A luz, diabolica, desaba, dos desvãos e gambiarras - corpo indolente e mol d'uma boneca de flanela na mão d'um sóba que tomasse ópio na sanzála e sentisse um crocodilo ao longe, ameaçá-lo. Um tango, de côco á banda e calças de bombazina, ondula na sala, cheirando cocaïna, e para fazer d'apache quer fugir pela janela como o ditongo augulôzo do bôjo redondo e côncavo do banjo e do gongo e do bombo do Jazz. (Aquele rapaz que baila mais ela é como se bailasse mais ele a ver se nela encontrava aquela sensação esquiva que lhe dá modos de donzela n'um corpo de donzel-viúva) As notas do Jazz que foram vermelhas e ácidas já põem um gilváz d'alvaiáde e giz na morenez da luz, morena e delida, como se viesse emigrada d'uma caixa de pó d'arroz, quási vasia, ou presentindo os braços da cruz na luz do dia que espreita pela frincha da janela fechada ficasse pálida, anémica, delida. (Cinco horas. A manhã rompe, estridente e nua. Seu corpo dança no dancing da rua, nua, estridente como o sol na ponta duma lança. Tu, tu onde moras? - Ali, além, em toda a parte. A cidade é o meu leito e a vida, - amante com quem me deito. De qualquer parte se parte para a morte) E eu, afinal?! Eu não danço, No dancing só dançam meus olhos em cata d'aquela, que tem nas feições certas feições d'esta d'aquela os olhos e a boca da outra. E as formas incompletas d'aquela e d'esta se entrelaçam, formando um corpo que tem alçapões por onde se esquiva, ao presenti-la, embora irreal, entre as dobras do Sonho onde Onam ressuscita e pontifica. Pois bem! Vou possuí[-]la No corpo d'aquela que traz meu desejo acêso. Lá por ser gasta tem lustre - Não basta?! - pois tem lá dentro um bordel em pêso - e é Sáfica. E eu nela, assim, penso e talvez consiga possuir um pouco do corpo de todas e por certo vou encontrá-lo, ali também - o corpo daquela que traz seu corpo esparso esquírula por esquírula no corpo d'esta e d'aquela. António de Navarro.
dc.contributor.authorAndrade, António de Albuquerque Labatt Sotto-Mayor Pereira Navarro de
dc.date.accessioned2025-04-16T15:46:08Z
dc.date.available2025-04-16T15:46:08Z
dc.date.issued1928-07-23
dc.description.abstractPoema que faz uso dos anglicismos "dancing", "ring", “Schárleston”, "louping", "loup" e "jazz".
dc.format.extent7
dc.identifier.urihttps://cetapsrepository.letras.up.pt/id/cetaps/131811
dc.language.isopt
dc.publisherAntónio José Branquinho da Fonseca
dc.publisherJoão Gaspar Simões
dc.publisherJosé Régio
dc.relation.ispartofPresença: Fôlha de Arte e Crítica
dc.relation.ispartofvolume14/15
dc.rightshttp://purl.org/coar/access_right/c_14cb
dc.subjectLíngua Inglesa e Anglicismos
dc.title"Dancing Ambiente"
dc.typeArticle
person.birthDate1902-11-09
person.deathDate1980-05-20

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